quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Primeiro dia.....

Tinha eu meus 14 anos, que saudade dessa idade, ai de mim!
         
                   Na quele ano eu recém começava meu 9º ano do ensino médio, mamãe me chamou na semana anterior a das aulas e me disse: " Você vai de ônibus deste ano em diante." Até então eu já estava de saco cheio de ser levada pela minha mãe, odiava ir de manhã com minha mãe, ia ouvindo rádios cristãs, ir de ônibus me pareceu algo bem interessante. 
                   De fato, meu primeiro dia foi divertido, eu citarei apenas o nome deste cobrador, pois já não trabalha mais lá, conheci neste dia o Gilvandro, ( Ele faleceu a pouco tempo, acidente de moto), peguei o ônibus numa manhã fria, não lembro o horário, mas lembro de vir socada no latão, vim me segurando na catraca para não cair nas curvas e freadas do motorista o senhor "Ribeirão", (esse ainda esta atuante, por isso o apelido).
                   - Cobrador...- eu, com vergonha de perguntar- quanto é a passagem? - foram as primeiras palavras que dirigi a ele.
                   - A passagem é 10 "pila", mas como você é bonitinha vou te cobrar só 2,50. - Me respondeu aquele "folgado", com um pouquinho de receio paguei a passagem em dinheiro- Tu não tens o cartão estudante ainda né? - fiz sinal que não com a cabeça. Ele me orientou o como fazer o cartão, me disse um horário em que o setuf estava menos ocupado.
                     Segui o conselho daquele cobrador que levei ao menos 1 semana para aprender o nome, ( obs.: há um aqui com quem pego a mais de 2 meses e ainda não aprendi o nome dele....), já na semana seguinte eu já me sentia mais "livre" ai vinha um " Bom dia Ribeirão! Bom dia "Gil", nada era mais gostoso que ouvir o bom dia deles para mim, (chorando aqui enquanto lembro).
                     Foram uns 8 meses de companhia, e nós víamos de tudo e comentávamos de tudo também, falávamos de futebol, religião, política, ele frequentemente pedia desculpas pois " eu tenho pouco estudo, me corrija se eu falar bobagens", mas ele falava e pensava de forma tão exata, tão precisa, ouso comparar, ele falava tão bem quanto meus professores da faculdade.
                    Neste período de convivência conheci várias pessoas naquele horário, fiz muitas amizades, uma delas é uma senhora que trabalhava na Casvig, ela tinha a mesma idade que minha mãe, e eu nunca que imaginei ter amigos muito mais velhos que eu, e não só eu, as pessoas daquele horário, principalmente as pessoas de mais idade, começaram a mudar também, pessoas que nunca havia conversado com ele antes, começaram a conversar com ele, as vezes chegava e a conversa vinha animada, as pessoas mudaram seu modo de conviver.
                    Mesmo tendo ficado 2 vezes parada no meio da via pois o latão, Morreu, sim, ficou lá, mortinho, houveram pessoas que brigaram com eles, como se fosse culpa deles, mas houve quem defendeu, no fim, nós rimos, fizemos tantas piadas que acabou sendo divertido.

                    Saudades apertam meu coração, as lagrimas correm ao rosto, mas a lembrança da voz dele e dos sorrisos me alegra.

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