Ontem ele veio me abordar em quanto eu conversava com outros amigos.
-Era você que estava entrevistando o povo? - acenei que sim, com um pouco de espanto- Você tem hora pra pegar ? -avisei a ele que precisaria pegar, no máximo, as 10 e poucas- Pois então, te senta ai que eu quero contribuir com você e mostrar o descaso com "a gente".
Deu uma breve pausa, puxou o folego pôs se a falar:
-Esta vendo aquele carro, trabalho nele já ha uns 3 anos, e nesses 3 anos, já tive problemas na bateria, pneu que estourou no meio da rota, alguns passageiros tem brigado conosco e usado de muitos palavrões para se referir a nós, estamos ali, na frente, dirigindo, tendo de prestar atenção na "p...." do trânsito, por que se bater o carro, la vai a sacolinha de arrecadação¹*, eu te convido a vir ali no carro, pisar na embreagem com toda a tua força e tentar mover o cambio que esta emperrando, que força o pulso da gente e o faz doer, a borracha de isolação, essa borrachinha ali, ela esta rasgada, o vapor vem na minha mão o tempo todo, arde.
Eu só não saio daqui por não ter mais estudos, é a única coisa que me resta nessa vida é esse emprego, eu tenho filhos, esposa, contas a pagar, e a poucos dias, fui ao médico para descobrir que estou com um "bico-de-papagaio" na coluna!
O cobrador que trabalhava comigo teve que se aposentar por invalidez, a coluna dele se arrebentou de tal forma, a final, trabalhava em 2 lugares diferentes e ainda pegava bico pra complementar a renda, e mesmo com dores horrendas vinha todos os dias, fazia de tudo pra não faltar, um funcionário exemplar, ai me vem um passageiro revoltado, que acha que é o ÚNICO que tem o direito de se estressar, e que nós somos um bando de vagabundos, que só quer receber sem trabalhar!
População, nós lutamos por melhorias para TODOS, usuários e trabalhadores!!!
Segundo o motorista Avaiano "Sacolinha de arrecadação" É como o momento do "dizimo", a sacola passa de mão em mão e cada um que pega a sacola doa tantos reais para ajudar o motorista a pagar o conserto do carro em caso de batida, as vezes empresa ajuda com uma porcentagem do valor, se for alto de mais e o motorista não puder arcar "sozinho". ( não foram citados valores pois essa politica muda de empresa para empresa.)
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